<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3249347183963943246</id><updated>2012-02-10T14:40:58.466-08:00</updated><title type='text'>Crônicas de Calliope</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Delirium</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15187299457476767015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qB6ccvWhCRk/Sbp47EvR86I/AAAAAAAAABs/X_Iqc0JQ7mg/S220/deli019.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>24</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3249347183963943246.post-5070213229666684997</id><published>2012-02-08T19:22:00.000-08:00</published><updated>2012-02-08T19:22:08.812-08:00</updated><title type='text'>Dois aniversários</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #f9cb9c; font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Meupai vive com a gente em um velho álbum de fotografias. Há muito tempo ele viveneste álbum como uma figura simbólica. A capa do álbum é verde-mar e váriaspequenas embarcações coloridas estão sobre ela. A capa talvez fosse pouco importantese meu pai não tivesse morrido afogado na praia, dias antes de completar 23anos. Curiosa ironia. De vez em quando recorro ao álbum só para ver o quantomeu irmão mais velho se parece com ele. Meu pai vive nos retalhos de velhashistórias que se ouve aqui e ali, nas velhas lembranças dos parentes. Um tiocardíaco lembrou, dia desses, sentado no sofá de nossa sala, o quanto meu paiera inteligente. Entendia de eletrônica e mecânica e fazia pinturasextraordinárias (sabe-se lá que sorte tiveram)... Pouco fiz parte de suahistória. Meu pai morreu antes que eu completasse 1 ano de vida. Quando nasciele disse a Loira que eu tinha mãos de pianista (curioso vaticínio já que soupianista de teclas de computador e minha música é toda feita de palavras) e quemeu irmão tinha mãos de mecânico (curioso vaticínio para quem é infinitamentemais inteligente do que eu poderia ser um dia). Já se passaram quase 26 anos ese estivesse entre nós, neste ano, meu pai completaria 50 anos. Ano após ano,meu pai faz dois aniversários. &amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3249347183963943246-5070213229666684997?l=cronicasdecalliope.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/feeds/5070213229666684997/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3249347183963943246&amp;postID=5070213229666684997&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default/5070213229666684997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default/5070213229666684997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/2012/02/dois-aniversarios.html' title='Dois aniversários'/><author><name>Delirium</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15187299457476767015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qB6ccvWhCRk/Sbp47EvR86I/AAAAAAAAABs/X_Iqc0JQ7mg/S220/deli019.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3249347183963943246.post-8255820680124079009</id><published>2012-01-13T07:06:00.000-08:00</published><updated>2012-01-13T07:06:40.541-08:00</updated><title type='text'>O Relógio e A Criança</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;span style="color: #f9cb9c; font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;O relógio repousa, eterno, na parede da copa. Relógio preto sobre revestimento branco. Velho quadro de velhos dias. A criança brinca enquanto o tédio espreita em seus refúgios mais costumeiros: cantos, janelas, portões... O tédio repousa, também, nas mudanças imprevistas. A criança quer aprender a ver as horas naquele relógio e compreender a curiosa relação entre os numerais e os ponteiros. Esperto como só as crianças podem ser, ele aprende. A felicidade de decifrar aquele grande mistério é breve, pois entender o mecanismo do relógio, implica entender, também, Tempo. E Tempo jamais obedece a vontade de quem quer que seja, adulto ou criança. Entender o relógio é entender quão intermináveis podem ser as horas alongadas pela tristeza de quem espera.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3249347183963943246-8255820680124079009?l=cronicasdecalliope.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/feeds/8255820680124079009/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3249347183963943246&amp;postID=8255820680124079009&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default/8255820680124079009'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default/8255820680124079009'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/2012/01/o-relogio-e-crianca.html' title='O Relógio e A Criança'/><author><name>Delirium</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15187299457476767015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qB6ccvWhCRk/Sbp47EvR86I/AAAAAAAAABs/X_Iqc0JQ7mg/S220/deli019.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3249347183963943246.post-3878875396935360291</id><published>2011-11-11T05:39:00.001-08:00</published><updated>2011-11-11T05:46:46.178-08:00</updated><title type='text'>O Muro e o Chão: Crônica de um Suicídio</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #f9cb9c; font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Não era apenas o sol escaldante daquela tarde de fevereiroque incomodava. Os programas de TV doíam na vista e na alma. Gente morta, diaapós dia, ganhava os seus 15 minutos de fama e seu lugar ao sol nos jornaisvespertinos. Repórteres enfáticos, como atores de um cotidiano brutal,anunciavam chagas abertas da realidade da vida: Um jovem ameaçava se atirar doviaduto. Era o viaduto de acesso ao meu bairro. Todos os programas em todos osjornais locais anunciavam a mesmíssima notícia. E pelas câmeras de TV erapossível ver a decoração do Carnaval próximo. Faltavam poucos dias para agrande festa, mas tudo é motivo para carnaval. O homem lá, dependurado noviaduto e as pessoas embaixo já começavam a se amontoar no beiral da pista. NaTV, o rosto do homem em destaque, um close-up aterrador. Um policial tentavaconvencê-lo a descer. Tudo devidamente registrado pelas câmeras de TV. Umônibus, cheio de passageiros, atravessava a ponte. Alguém gritou: “Se jogalogo, ô maluco.” Os carros já iam se aglomerando lá embaixo. Um carro dosbombeiros chegou e começou a montar um estranho aparato caso o nosso pretensosuicida se atirasse ponte abaixo. Almas concentradas não tiravam os olhos daTV. Estranhíssimo espetáculo é a tragédia dos outros. A mim, parecia que todosqueriam estender aquele drama o máximo possível. O policial continuava falandoao homem que parecia uma pedra insondável. Seu rosto suado demonstrava umaimparcialidade angustiada. A vida estreitava-se entre o muro e o chão. E omundo parecia tão grande... Quantos suicídios eram perpetrados minuto a minutomundo afora? O trânsito na região do viaduto ficou totalmente paralisado pelotrabalho dos bombeiros e pelo trabalho essencial dos curiosos. Quando o homemfinalmente se jogou houve quem dissesse estar aliviado. As equipes de TV nãoagüentavam mais estar em cima da notícia. A queda não parecia filme. Foi tãorápida que mal pode ser filmada. É claro que sempre há os recursoscinematográficos e os efeitos especiais para incrementar a cena, mas isso tudoficou por conta do sangue no asfalto, pintando a rua. A TV cumpriu seu papelinformativo mostrando o homem morto, um suicida com olhos, boca e cabeçaabertos. Tudo parecia fitar o chão. O vermelho sanguíneo no asfalto deu umcolorido diferente ao cinza e preto da rua, na cena. Era um colorido a mais natarde quente. Um colorido a mais na TV. Um colorido a mais na avenida, afinal,é Carnaval.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #f9cb9c; font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Depois do suicídio batido e debatido na TV era a vez depropangandear a heroicidade dos envolvidos: o trabalho extenuante dosbombeiros, o policial que intermediava os pés do suicida entre o chão de cima eo chão lá de baixo do viaduto e as equipes de TV que se aglomeravam por cima danotícia fresca.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #f9cb9c; font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Mas o que ficou sem resposta foram as razões do jovem rapazque parecia não ter nome já que a manchete o chamava de “O Suicida”. Quaisseriam suas razões? Por que alguém quereria morrer se a vida é tão boa? Se dizem por aí que aqui hásol e também belas praias e boas mulheres? Por que alguém quereriamorrer se temos Carnaval? &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #f9cb9c; font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;(&lt;i&gt;Calliope&lt;/i&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3249347183963943246-3878875396935360291?l=cronicasdecalliope.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/feeds/3878875396935360291/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3249347183963943246&amp;postID=3878875396935360291&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default/3878875396935360291'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default/3878875396935360291'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/2011/11/o-muro-e-o-chao-cronica-de-um-suicidio.html' title='O Muro e o Chão: Crônica de um Suicídio'/><author><name>Delirium</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15187299457476767015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qB6ccvWhCRk/Sbp47EvR86I/AAAAAAAAABs/X_Iqc0JQ7mg/S220/deli019.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3249347183963943246.post-9041514019629324265</id><published>2011-10-30T18:21:00.000-07:00</published><updated>2011-10-30T18:24:24.583-07:00</updated><title type='text'>Devil in the Details</title><content type='html'>&lt;span style="color: #f9cb9c; font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Você tem histórias pra contar. Experiências de "vida"... Talvez não saiba o que é ficar sozinho, o que é estar sozinho, talvez não saiba o que é rejeição.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #f9cb9c; font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;A rejeição tem uma cara feia dos diabos, é doença braba que sai largando marcas e quando você pensa que tá curado, se pega ouvindo uma canção, se pega lembrando, se pega sentindo...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #f9cb9c; font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Você não sabe o que é rejeição. Você só sabe o que é ter essa dúvida: tomei o atalho errado? E fica se sentindo culpado. It gets you down!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #f9cb9c; font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Mas quer saber, não dê ouvidos à dúvida, ela é perniciosa... Eu te asseguro:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #f9cb9c; font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Você fez uma excelente escolha ficando em cima do muro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #f9cb9c; font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Cada um que carregue, agora, sua própria cruz de recordações: eu com minhas lembranças, você com suas canções. Vamos passear juntos, embalados por todas essas canções: elas são como esperanças, a gente se agarra à elas, para não morrermos afogados, numa praia qualquer.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #f9cb9c; font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Eu seguro sua mão e chego a esquecer o tempo que perdi, mas nesse momento, a canção chega ao fim.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3249347183963943246-9041514019629324265?l=cronicasdecalliope.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/feeds/9041514019629324265/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3249347183963943246&amp;postID=9041514019629324265&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default/9041514019629324265'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default/9041514019629324265'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/2011/10/devil-in-details.html' title='Devil in the Details'/><author><name>Delirium</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15187299457476767015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qB6ccvWhCRk/Sbp47EvR86I/AAAAAAAAABs/X_Iqc0JQ7mg/S220/deli019.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3249347183963943246.post-7149179112855255982</id><published>2011-10-16T10:19:00.000-07:00</published><updated>2011-10-16T10:19:15.433-07:00</updated><title type='text'>Ars est celare artem</title><content type='html'>&lt;span style="color: #f9cb9c; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Lia com sofreguidão. Páginas e páginas, títulos e títulos, autoras e autores, poesia e prosa, comédia e drama. Lia como se estivesse à beira da morte, como se não houvesse outra sorte. Lia como se fosse sina da qual não se foge. Lia até que ardessem os olhos, a alma. Lia&amp;nbsp;e&amp;nbsp;procurava compreender o que lia. Era um vício, uma mania. Quanto mais hermética a leitura, mais a lia. Lia e era tão grande a fome que sentia de entender o que a leitura dizia que um dia se soube que comia. Comia como quem morria de uma fome sem consolo. Comia e comia enquanto lia, páginas e páginas de leitura fria, dura, crua, imprecisa... Até notar que comia ali, ainda viva, literatura pura. Comia, vorazmente, páginas inteiras, rasgava e comia páginas e mais páginas de poesia ou de teoria, comia como se não houvesse outra sorte: comia como quem sentia próximo o espectro resplandecente da morte.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3249347183963943246-7149179112855255982?l=cronicasdecalliope.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/feeds/7149179112855255982/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3249347183963943246&amp;postID=7149179112855255982&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default/7149179112855255982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default/7149179112855255982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/2011/10/ars-est-celare-artem.html' title='Ars est celare artem'/><author><name>Delirium</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15187299457476767015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qB6ccvWhCRk/Sbp47EvR86I/AAAAAAAAABs/X_Iqc0JQ7mg/S220/deli019.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3249347183963943246.post-7768892112699308687</id><published>2011-10-09T07:13:00.000-07:00</published><updated>2011-10-09T07:15:43.235-07:00</updated><title type='text'>Sobre Maçãs e Dentes</title><content type='html'>&lt;span style="color: #f9cb9c; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Eu gosto de maçãs duras, rígidas. Mas a minha impossibilidade de mordê-las faz com que eu as evite. Detesto ter de cortá-las e recortá-las, fazê-las em pedaços, para que se encaixem em minha boca. Detesto ter de escalpelá-las porque, em algum momento entre minha mão e a lâmina da faca, elas deixam de ser maçãs e se transformam em fruto sem cor e sem forma: só gosto no tato de minha língua. Detesto maçãs moles, macias. Fáceis demais, doces demais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #f9cb9c; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Eu gosto mesmo é das maçãs duras, rígidas. Gosto de sentir delas o vigor&amp;nbsp;entre meus dedos. Gosto de cravar nelas&amp;nbsp;meus dentes e fazer com que sangrem&amp;nbsp;sumo ácido em minha boca. Gosto de arrancar pedaços grandes da carne e da pele da fruta e devorá-los ruidosamente... Mas, diante de minha impossibilidade de mordê-las, devorá-las inteiras, engolindo as sementes, eu as evito. Evito a dureza das maçãs inteiras, evito fatias de maçãs cortadas. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3249347183963943246-7768892112699308687?l=cronicasdecalliope.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/feeds/7768892112699308687/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3249347183963943246&amp;postID=7768892112699308687&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default/7768892112699308687'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default/7768892112699308687'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/2011/10/sobre-macas-e-dentes.html' title='Sobre Maçãs e Dentes'/><author><name>Delirium</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15187299457476767015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qB6ccvWhCRk/Sbp47EvR86I/AAAAAAAAABs/X_Iqc0JQ7mg/S220/deli019.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3249347183963943246.post-2724979460632999381</id><published>2011-08-07T08:14:00.000-07:00</published><updated>2011-08-07T08:14:15.056-07:00</updated><title type='text'>Rei Poeta</title><content type='html'>&lt;span style="color: #f9cb9c; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;O rei poeta espera, confortavelmente, em seu trono trabalhado em ricas pedrarias. Sobre sua cabeça descansa uma esplêndida coroa fria e jóias esculpidas no mais puro ouro adornam-lhe todo o corpo: dedos, mãos, pescoço. O rei poeta segura o cetro de sua majestade e traz às costas um requintadíssimo manto de um vermelho felpudo e intenso. O rei poeta tem uma bela aparência e formas exuberantes. Entre exclamações e mesuras seus súditos&amp;nbsp;o reverenciam. O rei poeta espera em seu castelo: pedestal da excelência! O rei poeta espera o mensageiro real trazer&amp;nbsp;notícia de sua poesia.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #f9cb9c; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;(06/08/2011)&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3249347183963943246-2724979460632999381?l=cronicasdecalliope.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/feeds/2724979460632999381/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3249347183963943246&amp;postID=2724979460632999381&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default/2724979460632999381'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default/2724979460632999381'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/2011/08/rei-poeta.html' title='Rei Poeta'/><author><name>Delirium</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15187299457476767015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qB6ccvWhCRk/Sbp47EvR86I/AAAAAAAAABs/X_Iqc0JQ7mg/S220/deli019.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3249347183963943246.post-7396228565592420926</id><published>2011-06-08T18:07:00.000-07:00</published><updated>2011-06-08T18:07:15.443-07:00</updated><title type='text'>O Micro-ônibus</title><content type='html'>&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fce5cd; font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Esta é uma história real. Minhas obrigações quotidianas me obrigavam a pegar, diariamente, um micro-ônibus. E todos os dias, em determinado ponto da viagem, uma italiana entrava no ônibus e se detinha na parte dianteira, próxima a porta de entrada, já que àquela altura, o ônibus estava cheio. A italiana era muito branca, loura e tinha olhos azuis. Suas cores contrastavam com as demais cores, mas o que mais chamava a atenção, era o violino que ela trazia, dentro de um &lt;i&gt;case&lt;/i&gt;, à mão. O motorista que era um pouco distraído e que vez ou outra se esquecia de parar nos pontos solicitados, o que despertava a ira dos passageiros mais coléricos, jamais esquecia o ponto em que a italiana pegava o ônibus. Quando a moça entrava, ele a recebia com um sonoro “bom &lt;i&gt;giorno&lt;/i&gt;”. A pedido do motorista, que era também cobrador do micro-ônibus, a moça colocava o violino no painel evitando tê-lo à mão ou às costas. As viagens, apesar do trânsito, costumavam ser tranquilas, mas algum tempo depois, três amigas passaram a pegar o mesmo ônibus. Entravam muito antes da italiana e se recostavam no painel onde, outrora, a moça costuma ficar. Era difícil precisar se as três amigas se colocavam ali a fim de se livrarem do aperto a que todos se submetiam após passar a catraca ou para se posicionarem mais perto do motorista, já que ao longo da viagem travavam conversas animadíssimas, com direito a sonoras risadas matinais e alguns esquecimentos de paradas obrigatórias por parte do motorista. Quando chegava, porém, aquele ponto em que o motorista jamais se esquecia de parar e a violinista italiana entrava no ônibus carregando o seu instrumento, as três amigas ciumentas fechavam a cara e torciam a boca, olhando com desdém para a moça. O comportamento das três ciumentas gerava comentários sórdidos entre as outras passageiras enquanto a violinista italiana passava a catraca e se misturava à massa humana concentrada no interior do micro-ônibus. Vez por outra, alguém se oferecia para carregar o seu instrumento e a moça agradecia com um sorriso. Seguíamos viagem. As três ciumentas desciam juntas num mesmo ponto e a essa altura, o ônibus já esvaziava. Enquanto as pessoas desciam em seus pontos e seguiam caminhando para os seus trabalhos, eu ficava imaginando para onde iria, a violinista, tão cedo, carregando aquele instrumento. Quando o meu ponto finalmente chegava e eu finalmente descia, ficava imaginando quais sons a italiana extraía de seu instrumento. Essa novela sobre rodas se alongou por meses, anos, talvez. Até o dia em que a minha rotina mudou e eu nunca mais vi aqueles rostos que me pareciam tão familiares: o motorista distraído, a violinista italiana e as três ciumentas do micro-ônibus.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3249347183963943246-7396228565592420926?l=cronicasdecalliope.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/feeds/7396228565592420926/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3249347183963943246&amp;postID=7396228565592420926&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default/7396228565592420926'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default/7396228565592420926'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/2011/06/o-micro-onibus.html' title='O Micro-ônibus'/><author><name>Delirium</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15187299457476767015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qB6ccvWhCRk/Sbp47EvR86I/AAAAAAAAABs/X_Iqc0JQ7mg/S220/deli019.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3249347183963943246.post-3629748870070473424</id><published>2011-03-14T11:08:00.000-07:00</published><updated>2011-03-14T12:16:25.550-07:00</updated><title type='text'>O Talentoso Grigório Rocha</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fce5cd;"&gt;&lt;i&gt;*Uma singela homenagem do blog “Crônicas de Calliope” para celebrar o aniversário do poeta e a sua arte.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fce5cd; font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Quando conheci Grigório Rocha, há aproximadamente dois anos, ele me contou que se considerava um poeta bissexto porque escrevia esporadicamente e que era um leitor assíduo do meu blog, o &lt;a href="http://www.poesiasdecalliope.blogspot.com/"&gt;Poesias de Calliope&lt;/a&gt;. Um dia, ele me falou que leu minhas antigas publicações, que se aprofundou no meu blog e notou que minha poesia, que a princípio era muito formal, havia sofrido ao longo do tempo um “desapego às construções rimadas”. Sim, era verdade. Segredei-lhe que sempre adorei a liberdade de deitar ao papel poemas escritos em versos brancos e ele me contou que buscava a rima e que isso o deixava um pouco angustiado. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fce5cd; font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fce5cd; font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;O meu primeiro contato com a poesia de Grigório Rocha foi proporcionada pelo próprio poeta que me presenteou com um recorte de revista, era uma nota falando sobre sua participação num concurso de poesias e a publicação do poema que o colocou no 2º lugar do concurso. Li e reli o poema com certa estranheza. Não consegui classificar aquele poeminha perverso cujo tema me escapava por completo. Aquilo não era um poema, era um desafio à moda da esfinge “decifra-me ou devoto-te”. &amp;nbsp;Chamava-se “&lt;a href="http://poesiasdoabsurdo.blogspot.com/2009/06/trova-para-o-arcanjo.html"&gt;Trova para o Arcanjo&lt;/a&gt;”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fce5cd;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;À medida que nos conhecíamos, mais eu me aprofundava em sua arte, em seus antigos versos, trabalhados com temas curiosos como mitologia e ocultismo e o seu (des)arrumar de versos que escapavam à minha compreensão. Sugeri um dia, que o poeta criasse um blog para divulgar sua arte. Foi exatamente o que ele fez e começou a publicar velhas produções, com temas e formas muito curiosas como: “&lt;a href="http://poesiasdoabsurdo.blogspot.com/2009/06/poesia-do-absurdo.html"&gt;Poesia do Absurdo&lt;/a&gt;” (poema que dá nome ao blog), “&lt;a href="http://poesiasdoabsurdo.blogspot.com/2009/06/pathos.html"&gt;Pathos&lt;/a&gt;” e “&lt;a href="http://poesiasdoabsurdo.blogspot.com/2009/06/pathos.html"&gt;A Alma e a Luta&lt;/a&gt;”. Algum tempo depois, entre um poema antigo e outro, surgia de repente, no blog, um poema inédito de cunho satírico ou irônico como em&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;“&lt;a href="http://poesiasdoabsurdo.blogspot.com/2009/06/aviso-ao-mercado.html"&gt;Aviso ao Mercado &lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;”,&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;“&lt;a href="http://poesiasdoabsurdo.blogspot.com/2009/11/as-armas.html"&gt;Às Armas&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;” e no gracioso &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;“&lt;a href="http://poesiasdoabsurdo.blogspot.com/2010/09/talento.html"&gt;Talento&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;”&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;. Aos poucos notei que a leitora assídua da vez era eu, sempre curiosa e atenta às publicações desse poeta do absurdo. Rapidamente, os velhos poemas foram ficando para trás, à medida que novíssimos poemas eram publicados, agora em “larga escala”. Deixou de ser um poeta bissexto. Parecia-me que o blog havia dado um novo impulso à pena desse poeta. Seus poemas foram ganhando forma, traço, estilo e força. Parecia ter notado que a poesia era uma arma potente e que através dela poderia falar a toda gente. Os temas herméticos foram dando lugar à arte de contestação, como é possível perceber no poema “&lt;a href="http://poesiasdoabsurdo.blogspot.com/2009/11/mortalha.html"&gt;Mortalha&lt;/a&gt;” que denuncia o tratamento humilhante que ainda hoje é dado à mulher e no belíssimo “&lt;a href="http://poesiasdoabsurdo.blogspot.com/2010/06/terra-de-ninguem.html"&gt;Terra de Ninguém&lt;/a&gt;” cujo cunho político e humano nos toca profundamente. Enquanto construía seu estilo ia também trabalhando sua temática, sempre ousando, sem medo, e com uma sutileza muito característica como em “&lt;a href="http://poesiasdoabsurdo.blogspot.com/2010/04/soneto-para-minha-rosa.html"&gt;Soneto para Minha Rosa&lt;/a&gt;” poema em que o erotismo chega a ser de uma pudicícia irretocável...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fce5cd; font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Aos poucos, pude testemunhar o desabrochar de uma poesia madura, delicada, que ora brinca com o Simbolismo, ora com o Parnasianismo de um modo muito, muitíssimo peculiar como é possível verificar em “&lt;a href="http://poesiasdoabsurdo.blogspot.com/2010/08/sonetus-oniricus.html"&gt;Sonetus Oniricus&lt;/a&gt;”. Incontáveis foram as vezes em que meus olhos se surpreenderam com a poesia de Grigório Rocha, que aos poucos, alcançou o refinamento formal e lírico tão almejado, aliando, como diria Camões, “Engenho e Arte”. O talento desse poeta, outrora bissexto, parece ter uma força e uma vivacidade inesgotáveis. E a angústia inicial pela perfeição da forma e o apuro do sentido, sem sombra de dúvida, serviu como um estímulo a mais para fazer com que o poeta se tornasse completo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fce5cd; font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Portanto, poeta, brilhe! Tudo que você tem a fazer é brilhar, afinal de contas, é para isso que nascem as estrelas como você. E estrela que é estrela não carece de intermediário.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fce5cd; font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fce5cd; font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="https://lh6.googleusercontent.com/-N259u7gYBS8/TX5UhGpj6OI/AAAAAAAAATg/LWz3NnFmr6I/s1600/gri+no+fala.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fce5cd; font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fce5cd; font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: left; margin-right: 1em; text-align: left;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh5.googleusercontent.com/-PUrMtEYDklo/TX5lFxdnwQI/AAAAAAAAATk/WhWmxVAtwoM/s1600/baby12.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="https://lh5.googleusercontent.com/-PUrMtEYDklo/TX5lFxdnwQI/AAAAAAAAATk/WhWmxVAtwoM/s200/baby12.jpg" width="150" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fce5cd;"&gt;Foto: MJ (Arquivo Pessoal)&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fce5cd; font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;Mini biografia do Poeta: Grigório Rocha nasceu em 14/03/1975 e é natural de Salvador-BA. Artista plástico formado pela UFBA, especialista em Metodologia do Ensino Superior pela UNEB e graduando &lt;st1:personname productid="em Ci￪ncias Sociais" w:st="on"&gt;em Ciências  Sociais&lt;/st1:personname&gt;, também pela UFBA. Funcionário da Embasa, é diretor de Imprensa do Sindae-BA. Publica suas poesias no blog: &lt;a href="http://www.poesiasdoabsurdo.blogspot.com/"&gt;www.poesiasdoabsurdo.blogspot.com&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fce5cd; font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fce5cd; font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fce5cd; font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3249347183963943246-3629748870070473424?l=cronicasdecalliope.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/feeds/3629748870070473424/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3249347183963943246&amp;postID=3629748870070473424&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default/3629748870070473424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default/3629748870070473424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/2011/03/o-talentoso-grigorio-rocha.html' title='O Talentoso Grigório Rocha'/><author><name>Delirium</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15187299457476767015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qB6ccvWhCRk/Sbp47EvR86I/AAAAAAAAABs/X_Iqc0JQ7mg/S220/deli019.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh5.googleusercontent.com/-PUrMtEYDklo/TX5lFxdnwQI/AAAAAAAAATk/WhWmxVAtwoM/s72-c/baby12.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3249347183963943246.post-5345812224132305923</id><published>2011-02-17T17:13:00.000-08:00</published><updated>2011-02-17T17:26:54.652-08:00</updated><title type='text'>Humanamente, S.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fce5cd; font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Não me surpreendi quando ela disse que se alguém a empurrasse de um penhasco ela ficaria feliz porque adorava voar. Eu sempre soube que ela era uma espécie de anjo e que seria capaz de voar se quisesse. Sempre soube que jamais se contentaria com o céu sem antes ter sentido o chão vibrar em suas mãos. Para ela, pairar sobre as coisas, não era o suficiente. Queria se elevar às alturas mais imponderáveis para depois mergulhar vertiginosamente em qualquer escuridão, de onde saía incólume, como num piscar de olhos ou num simples bater de asas... Enquanto os meros humanos faziam questão de viver entre o céu e o inferno, entre o bem e o mal ela vivia alternando coisa e outra, batendo asas, ora de borboleta, ora de harpia. Não era um desses anjos elevados, de olhar enternecido e mãos unidas em oração. &amp;nbsp;Nem era um desses anjos banidos, de asas chamuscadas, envergonhados pela escuridão da queda. Não. Era sim um anjo desses que podem se metamorfosear em qualquer coisa: beija-flor, borboleta, Tinker Bell ou ela mesma, humanamente, S.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fce5cd; font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fce5cd; font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;(Calliope)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3249347183963943246-5345812224132305923?l=cronicasdecalliope.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/feeds/5345812224132305923/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3249347183963943246&amp;postID=5345812224132305923&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default/5345812224132305923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default/5345812224132305923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/2011/02/simplesmente-s.html' title='Humanamente, S.'/><author><name>Delirium</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15187299457476767015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qB6ccvWhCRk/Sbp47EvR86I/AAAAAAAAABs/X_Iqc0JQ7mg/S220/deli019.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3249347183963943246.post-1038967011609161551</id><published>2011-01-19T09:46:00.000-08:00</published><updated>2011-01-19T09:46:57.973-08:00</updated><title type='text'>A Arca</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fce5cd; font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;A poesia, cansada de mim, me deixou a sós comigo mesmo. E eu mal pude suportar-me. Intenso e inquieto vazio a espreitar-me em muitos diálogos, muitas vozes... Muitas confissões mascaradas e versificadas, deformando tudo que eu sentia. E a poesia, maliciosa e assanhada, quando tentava alcançá-la, era de mim que corria. E esbanjava segredos que eu não queria ler... Eu já não acreditava em mais nada. Verdades e mentiras eram correlatas. Em tudo que ouvia era impossível crer. Mas havia aquela sombra que dizia: cuidado com a artimanha crua que pensas dominar, caro artista, porque o criador é mero escravo e enquanto versifica imitando um sábio é a arte que te domina – traiçoeira – desnuda carne e alma e te deixa assim, revelado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3249347183963943246-1038967011609161551?l=cronicasdecalliope.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/feeds/1038967011609161551/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3249347183963943246&amp;postID=1038967011609161551&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default/1038967011609161551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default/1038967011609161551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/2011/01/arca.html' title='A Arca'/><author><name>Delirium</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15187299457476767015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qB6ccvWhCRk/Sbp47EvR86I/AAAAAAAAABs/X_Iqc0JQ7mg/S220/deli019.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3249347183963943246.post-8670027734030509356</id><published>2010-10-25T17:17:00.000-07:00</published><updated>2010-10-25T17:23:18.172-07:00</updated><title type='text'>Estilhaços</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fce5cd; font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Era a primeira vez que lia uma mentira em seu lindo par de estrelas. Primeira leitura consciente, ao menos. A sensação foi de veneno. Veneno do mais suave. Fez chacota do meu desmazelo, do meu desespero. Mas, no meio das contas, tudo acaba em desejo. O olhar enternecido, o beijo suave, o roçar dos dedos... Continuou rindo das falhas, das tolices e da crueza das palavras. Queria consertar o brinquedinho quebrado que lhe apareceu cheio de remendos. Algumas coisas, simplesmente, não têm conserto. Pensou o que foi possível pensar: nada. &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fce5cd; font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;i&gt;Algumas coisas, simplesmente, não têm conserto&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fce5cd; font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;. Espelho quebrado, casa abandonada. Juntos, juntamos estilhaços.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3249347183963943246-8670027734030509356?l=cronicasdecalliope.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/feeds/8670027734030509356/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3249347183963943246&amp;postID=8670027734030509356&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default/8670027734030509356'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default/8670027734030509356'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/2010/10/estilhacos.html' title='Estilhaços'/><author><name>Delirium</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15187299457476767015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qB6ccvWhCRk/Sbp47EvR86I/AAAAAAAAABs/X_Iqc0JQ7mg/S220/deli019.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3249347183963943246.post-1851116389239839178</id><published>2010-07-16T18:54:00.000-07:00</published><updated>2010-07-16T18:54:45.976-07:00</updated><title type='text'>O caminho da incompreensão</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #fce5cd; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Em ocasião da morte do vate paraibano Augusto dos Anjos, Olavo Bilac – conhecido como o príncipe dos poetas – disse que a poesia brasileira não perdia grande coisa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #fce5cd; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #fce5cd; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Ledo engano! A poesia brasileira perdia, prematuramente, um de seus maiores expoentes poéticos. Mas este poeta, injustiçado pela crítica, à sua época, foi imortalizado pela sua poesia tão singular e original que não foi possível enquadrá-lo em nenhuma escola literária, tornando-se pré-modernista apenas por questões didáticas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #fce5cd; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #fce5cd; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;“Literariamente, parece que Cesário Verde não existe” desabafou o poeta Cesário Verde que foi ignorado pelas revistas e pela crítica literária, pois a sua originalidade e o desapego ao lirismo formal causavam estranheza ao gosto português. Cesário teve um único volume publicado, postumamente, por um amigo. O fato é que Cesário promoveu uma incrível renovação na poesia portuguesa, influenciando mais tarde, poetas como Fernando Pessoa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #fce5cd; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #fce5cd; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;A poesia No Meio do Caminho do ilustríssimo Carlos Drummond de Andrade foi recebida com grande estranheza pela crítica da época, em ocasião do seu lançamento, em 1928. Drummond teve coragem para publicar o seu poema e enfrentar a crítica quando ainda não tinha alcançado o merecido reconhecimento. Críticas estas que renderam a publicação do livro Uma Pedra no Meio do Caminho – Biografia de um poema, organizada pelo próprio Drummond em comemoração aos 40 anos de publicação do poema. Certamente, a poesia sem rima de Drummond, deve ter sido uma pedra no meio do caminho de muitos críticos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #fce5cd; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #fce5cd; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;O que estes poetas têm em comum além de possuírem reconhecimento e terem enfrentado a crítica?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #fce5cd; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Todos eles romperam com as tradições poéticas vigentes em suas épocas. Transgrediram regras e se libertaram da rigidez formal das escolas literárias.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #fce5cd; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #fce5cd; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Foram imortalizados pela arte, cada um a seu modo, ao seu estilo, com sua singularidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #fce5cd; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;E hoje, na atualidade, depois de transpostas essas barreiras, será que vamos continuar trilhando o caminho da incompreensão? Julgando a arte do outro como inferior segundo as nossas próprias regras ou comparando-os com os grandes poetas póstumos que foram também vitimizados, em suas épocas, por visões tão míopes?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #fce5cd; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #fce5cd; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Embora aplicadas em outro contexto, ouso expor aqui palavras do próprio Drummond: “A poesia é incomunicável”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3249347183963943246-1851116389239839178?l=cronicasdecalliope.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/feeds/1851116389239839178/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3249347183963943246&amp;postID=1851116389239839178&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default/1851116389239839178'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default/1851116389239839178'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/2010/07/o-caminho-da-incompreensao.html' title='O caminho da incompreensão'/><author><name>Delirium</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15187299457476767015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qB6ccvWhCRk/Sbp47EvR86I/AAAAAAAAABs/X_Iqc0JQ7mg/S220/deli019.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3249347183963943246.post-7058092760190457077</id><published>2010-06-06T12:17:00.000-07:00</published><updated>2010-06-06T12:17:51.828-07:00</updated><title type='text'>A Chuva</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp; &lt;span style="color: #f9cb9c;"&gt;Talvez por querer que a chuva agreste da madrugada a lavasse, abandonou cômodo a cômodo de casa para atravessar o limiar da porta, a varanda. Desceu os degraus com vagar enquanto sua mente trabalhava automaticamente. Era uma engrenagem incansável, a mente. Quando se deu conta estava sentada na grama do jardim. A chuva batia com violência em seu rosto. Era uma espécie de autopunição sem mãos. Era como se quisesse que a chuva a espalhasse pelo gramado e que a terra a absorvesse. Queria se misturar à natureza sem que precisasse enfrentar o espetáculo da morte física. Queria que sua carne sólida se fizesse lamacenta pela ação da chuva.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="color: #f9cb9c; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #f9cb9c; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp; Efeito carrossel... Girando... Tudo estava girando. Tudo não passava de um borrão em tinta verde. Um quadro abstrato em tinta verde. Mas nada parecia frio, com exceção talvez daqueles panos que a cobriam. Com exceção talvez dos seus cabelos. E por que não arrancar os cabelos e as roupas que reprimiam sua carne? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #f9cb9c; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp; O carrossel parou. Aos poucos os borrões se convertiam em realidade extrema. Caiu da abstração de quadro. Constatou que estava deitada sobre a grama. Não tinha se convertido em lama, não tinha se misturado à terra, não tinha penetrado o solo nem tinha encontrado o lençol freático muito menos as camadas mais profundas do núcleo terrestre.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #f9cb9c; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp; Continuava deitava na grama sem querer aceitar que era ela de novo. A chuva passara e não levara para longe a realidade e suas conseqüências e suas banalidades. Era ela e aquela coisa latejante dentro de uma cabecinha em forma de coco. Levantou-se. Voltou para casa e aguardou que o sol estiasse.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #f9cb9c; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp; Quem sabe a próxima chuva a lavasse ou a levasse para outros campos, outras paragens.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3249347183963943246-7058092760190457077?l=cronicasdecalliope.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/feeds/7058092760190457077/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3249347183963943246&amp;postID=7058092760190457077&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default/7058092760190457077'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default/7058092760190457077'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/2010/06/chuva.html' title='A Chuva'/><author><name>Delirium</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15187299457476767015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qB6ccvWhCRk/Sbp47EvR86I/AAAAAAAAABs/X_Iqc0JQ7mg/S220/deli019.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3249347183963943246.post-5564835858581118047</id><published>2009-11-07T10:34:00.000-08:00</published><updated>2009-11-08T17:18:55.417-08:00</updated><title type='text'>Ela</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFCC99;"&gt;Ela não tem cenário. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFCC99;"&gt;Vejo-a desfilando pela rua, despertando atenções e atrações explosivas. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFCC99;"&gt;Ela não é comedida. Algumas vezes percebo-a, insinuante, no escritório: copa, corredores e escadaria. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFCC99;"&gt;  Ela não pede favores à ninguém, tampouco permissão para coisa alguma. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFCC99;"&gt;  Ela não almoça na sua casa para não ter que lavar a louça depois. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFCC99;"&gt;  Ela não compreende a eternidade, sua mente só alcança o que pode tocar com a mão e, vampiresca, ela sempre alcança o seu coração para despedaçá-lo. E para despedaça-los todos, basta um gesto. Basta um dedo convidativo. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFCC99;"&gt;  Não se pode chamá-la porque ela tem muitos nomes, mas não costuma atender à nenhum nome específico. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFCC99;"&gt;  Ela é metade precipício e metade perdão. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFCC99;"&gt;Mas não é preciso procurá-la pois sua distração favorita é caçar. Ela não faz vítimas, as pessoas é que se vitimizam. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFCC99;"&gt;  Ela é desleal; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFCC99;"&gt;Infiel; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFCC99;"&gt;Ela é toda Traição.    &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFCC99;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFCC99;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFCC99;"&gt;Calliope&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFCC99;"&gt;, 07/11/2009)   &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3249347183963943246-5564835858581118047?l=cronicasdecalliope.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/feeds/5564835858581118047/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3249347183963943246&amp;postID=5564835858581118047&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default/5564835858581118047'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default/5564835858581118047'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/2009/11/ela.html' title='Ela'/><author><name>Delirium</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15187299457476767015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qB6ccvWhCRk/Sbp47EvR86I/AAAAAAAAABs/X_Iqc0JQ7mg/S220/deli019.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3249347183963943246.post-315887677608859035</id><published>2009-10-21T04:01:00.000-07:00</published><updated>2009-10-21T04:10:23.226-07:00</updated><title type='text'>Cíclico</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFCC99;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;Deveria eu romântico ser&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFCC99;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;Se me orgulhasse&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFCC99;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;Das rosas que beijei&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFCC99;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;E ainda, das que beijar desejei?*&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFCC99;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;O Amor é vaidoso. Vangloria-se dos seus feitos, quer tenha machucado alguém, quer tenha matado de gozo. Vive solto pelo mundo, não há quem o prenda, pois prendê-lo seria sentenciá-lo à morte. Há quem chore, sangre, morra... Há até quem escreva metafóricas historinhas... E o Amor, inocentemente, faz-se de desentendido, e conta a sua versão da história.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFCC99;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;Mas a verdade, é que o Amor se desdobra, se transforma, sofre metamorfose, morre e renasce... E continua sendo o soberbo Amor.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFCC99;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFCC99;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;Calliope&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFCC99;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;, 20/10/2009)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFCC99;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFCC99;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;*Romântico, Grigório Rocha - www.poesiasdoabsurdo.blogspot.com &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3249347183963943246-315887677608859035?l=cronicasdecalliope.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/feeds/315887677608859035/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3249347183963943246&amp;postID=315887677608859035&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default/315887677608859035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default/315887677608859035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/2009/10/ciclico.html' title='Cíclico'/><author><name>Delirium</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15187299457476767015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qB6ccvWhCRk/Sbp47EvR86I/AAAAAAAAABs/X_Iqc0JQ7mg/S220/deli019.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3249347183963943246.post-7789999687600186240</id><published>2009-08-14T08:27:00.000-07:00</published><updated>2009-08-14T10:57:22.384-07:00</updated><title type='text'>O Sinal</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFCC99;"&gt;Apareceu-me nu, sorrateiramente, no meu sonho. Quando me dei conta, ele já estava debaixo do chuveiro e pude vislumbrar cada gota que caía, se esparramando no seu corpo, tocando-o com suavidade. O curioso é que não me lembro de ter visto o seu rosto, mas o seu rosto, não me parecia tão interessante quanto o seu corpo molhado e sua pele negra. Sem razão aparente, eu sentia um misto de arrependimento e repulsa. Eu não queria aquele corpo e, no entanto não conseguia parar de olhá-lo. Pude ver signos ao longo de 1,90cm de ossos, carne, pele e natureza duvidosa. Eram tatuagens, dessas que vêm embrulhadas no chiclete. Achei isso ligeiramente infantil e lhe perguntei se não teria coragem de fazer uma tatuagem de verdade e ele me respondeu, mentalmente, já que não me lembro de ter escutado sua voz, que tinha uma tatuagem e fez sinal para que os meus olhos seguissem sua mão... Nas costas, logo abaixo da nuca, havia uma tatuagem verdadeira. Mais um signo? Esfreguei-a com o dedo a fim de testar a sua veracidade. Não desbotou. Era, de fato, verdadeira. Dediquei algum tempo a observar o desenho que me provocou certo fascínio: era um círculo, metade lua, metade máscara. Nada poderia representar melhor a sua inconstância como a lua, ou o seu caráter enganoso como uma máscara. A tatuagem não pertencia ao glorioso tempo em que fiz parte daquele mundo infanto-juvenil e senti estranheza. Havia sonhado o sonho errado. Mas aquela tatuagem era um sinal. Sinal este que ainda não pude interpretar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFCC99;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFCC99;"&gt;Calliope&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFCC99;"&gt;, 14/08/2009) &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3249347183963943246-7789999687600186240?l=cronicasdecalliope.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/feeds/7789999687600186240/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3249347183963943246&amp;postID=7789999687600186240&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default/7789999687600186240'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default/7789999687600186240'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/2009/08/o-sinal.html' title='O Sinal'/><author><name>Delirium</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15187299457476767015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qB6ccvWhCRk/Sbp47EvR86I/AAAAAAAAABs/X_Iqc0JQ7mg/S220/deli019.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3249347183963943246.post-4458272213537322568</id><published>2009-06-30T17:38:00.000-07:00</published><updated>2009-07-06T18:48:25.417-07:00</updated><title type='text'>O Ofício</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#ffcc99;"&gt;Diante do espelho ela pintava os lábios de vermelho. Dalí se desprendiam poemas inteiros, sonetos, os versos mais brandos ou mais brancos que eu poderia pintar. Ela era toda poesia. Desde o acordar ao anoitecer, emanava versos que pairavam no ar como o seu perfume. Mas palavras não são voláteis, grudam-se na pele, nos cabelos e se reproduzem ou parasitam, ao contrário de nós, não perecem. Poderia passar horas olhando o seu ciúme sendo camuflado por sorrisos, mas até do seu ciúme rebentavam poemas. Eu era apenas um escritor escravizado pela visão atordoante da musa. Queria eternizá-la contornando os lábios com aquele batom vermelho, fazer o seu retrato todo em palavras... De repente ela borrava o batom e desfazia o nó que arrumava os seus cabelos. De repente ela não queria ser musa, queria ser apenas mulher. Ela me queria homem, eu a queria musa. Ficamos apartados e solitários. Ela apenas mulher e eu poeta, apenas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#ffcc99;"&gt;(&lt;em&gt;Calliope&lt;/em&gt;, 06/07/2009)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3249347183963943246-4458272213537322568?l=cronicasdecalliope.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/feeds/4458272213537322568/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3249347183963943246&amp;postID=4458272213537322568&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default/4458272213537322568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default/4458272213537322568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/2009/06/o-oficio.html' title='O Ofício'/><author><name>Delirium</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15187299457476767015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qB6ccvWhCRk/Sbp47EvR86I/AAAAAAAAABs/X_Iqc0JQ7mg/S220/deli019.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3249347183963943246.post-1592717868011271054</id><published>2009-06-07T19:30:00.000-07:00</published><updated>2009-06-08T17:09:35.893-07:00</updated><title type='text'>O Verme</title><content type='html'>&lt;span style="color:#ffcc99;"&gt;A garotinha sufocava o choro com a mão na boca, disposta em concha, sentada no chão frio, esperando que ninguém a ouvisse. Decerto, ninguém a ouviria. Dores latentes não gritam por aí, às escâncaras. Ficam batendo na alma, entoando canções. Mal cabiam, naquela cabecinha, tantas coisas: idéias, aspirações, planos... Ela odiava os planos. Planos foram criados para serem seguidos à risca. Ela os traçava, programava, projetava e no instante seguinte, eles se tornavam déspotas. Queriam ser executados e concluídos independente das dificuldades. Ela odiava o futuro. Como poderia gostar do que não podia divisar? Do que não podia tocar com a mente? Prendeu a respiração esperando que o soluço cessasse, quando viu um verme se arrastando pelo chão. Era mole como uma minhoca, palpável como uma minhoca. Não tinha mãos, nem pés, não tinha nada, além de uma cápsula corpórea mole. Teria uma alma? Mas o que é ter alma?&lt;br /&gt;- É ter um corpo, dentro do seu corpo. – disse o verme. – Outro corpo cheio de vontades.&lt;br /&gt;A garotinha arrepiou-se de assombro. – Eu não fiz essa pergunta! – disse ela.&lt;br /&gt;- Mas pensou e para mim, basta que pense. Eu sou parte de você. – argumentou o verme.&lt;br /&gt;Ela teria falado alguma coisa se o horror não a tivesse emudecido.&lt;br /&gt;- Sou parte integrante de todos. Mas, com veemência me negam. Lêem para fingir que não existo. Aprendem, os que podem, para me sepultar no esquecimento. E me atiram aos pobres, aos porcos, aos parcos. Eu sei que sou um trapo. Mas, ainda assim, existo.&lt;br /&gt;O verme se aproximou, um pouco mais, tocando a garotinha. Seu corpo era frio e pegajoso. Ela tremeu. Quis gritar, mas o horror a paralisava.&lt;br /&gt;- Não tema! Não sou agressiva, embora faça mal. Eu quero um pouco da sua atenção. Os demais são tão racionais. Tão intelectuais. Eu quero me sentir importante: como o plano, como o sonho, como o amor. Qualquer grande aspiração. Não gosto de ser o que sou, mas não nego minha condição. Os demais é que me negam com fervor. Sou a mais sombria das condições. A mais miserável das realidades.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffcc99;"&gt;(&lt;em&gt;Calliope&lt;/em&gt;, 07/06/2009)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3249347183963943246-1592717868011271054?l=cronicasdecalliope.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/feeds/1592717868011271054/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3249347183963943246&amp;postID=1592717868011271054&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default/1592717868011271054'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default/1592717868011271054'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/2009/06/o-verme.html' title='O Verme'/><author><name>Delirium</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15187299457476767015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qB6ccvWhCRk/Sbp47EvR86I/AAAAAAAAABs/X_Iqc0JQ7mg/S220/deli019.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3249347183963943246.post-1950717793777288634</id><published>2009-05-04T09:49:00.000-07:00</published><updated>2009-05-04T09:50:57.242-07:00</updated><title type='text'>A Criatura</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#ffcc99;"&gt;Som.&lt;br /&gt;Abriu os olhos na escuridão. Abandonou os seus lençóis amenos. O vento gelado da madrugada sacudia a poeira, as cortinas e sua alma, congelando os seus anseios. O som ignorava chuva e vento, madrugada e escuridão. Era como o bater de uma porta de aço. Era como o desabamento de uma caverna. Era o som desesperado e rouco de alguém que foi sepultado vivo.&lt;br /&gt;Acendeu, mecanicamente, a luz de um cômodo. Sentou-se. Serviu-se de papel e caneta. Som. Som. Som. Retumbante. As primeiras marcas surgiram no papel. Rabiscos involuntários? Exumação. Terra, escombros e destroços foram removidos de sua alma. Mais um parto obscuro e lento. Artístico. Dera à luz, a uma dessas criaturas complexas, repletas de lampejos e símbolos, verdade e sugestão.&lt;br /&gt;Sublimou-se como um deus quando criou o último verso. Soberbo.&lt;br /&gt;A criatura, parto singelo e puro, riu-se.&lt;br /&gt;Ascendeu na escala evolutiva e deixou de ser criatura.&lt;br /&gt;Escravizou esse deus doido a quem chamam de poeta.&lt;br /&gt;(&lt;em&gt;Calliope&lt;/em&gt;, 03/05/2009)&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3249347183963943246-1950717793777288634?l=cronicasdecalliope.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/feeds/1950717793777288634/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3249347183963943246&amp;postID=1950717793777288634&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default/1950717793777288634'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default/1950717793777288634'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/2009/05/criatura.html' title='A Criatura'/><author><name>Delirium</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15187299457476767015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qB6ccvWhCRk/Sbp47EvR86I/AAAAAAAAABs/X_Iqc0JQ7mg/S220/deli019.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3249347183963943246.post-6053991713394203052</id><published>2009-04-14T09:31:00.000-07:00</published><updated>2009-04-14T09:33:50.358-07:00</updated><title type='text'>Coletividades Sofredoras</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#ffcc99;"&gt;Vagava inconsolável, pelas ruas. Culpava o destino por seus infortúnios. Maldizia o dia em que nascera. Praguejava contra a mãe, o pai, a vizinha, enfim, o mundo.&lt;br /&gt;  Esmagava flores e chutava pedras que apareciam no caminho. Com as mãos cheias de ódio secava o suor que porejava na sua testa.&lt;br /&gt;  Olhos raivosos brilhavam no seu rosto. Ao redor, notava crianças descalças, à toa, como se fossem filhotes de cães, aprendendo a se virar.&lt;br /&gt;  Uma mulher desgrenhada, de vestido puído e amarfanhado, quase que escangalhada por um provável derrame, lhe sorriu. A boca sem os incisivos. Em seu olhar, uma pontinha de escárnio.&lt;br /&gt;  Fugiu da mulher, correndo como um louco, sem saber para onde ir, temendo vê-la novamente.&lt;br /&gt;  Ofegante, sentou em um banco da praça. Pombos cortavam os ares em vôos imprevisíveis. Arbustos enchiam de verde o ambiente enquanto bêbados enchiam a cara, aprisionando-se, ainda mais fundamente, no vício.&lt;br /&gt;  Meninas perdidas contavam casos de colégio. Sem a menor inocência.&lt;br /&gt;  Ao longe, um murmúrio de morte recente ecoava. Fitas negras tremulavam em postes de luz, proclamando luto.&lt;br /&gt;  Um louco sorria ao acaso. Na alegria imbecil da desforra, assombrava os transeuntes. Cruzando o caminho do louco, uma senhora contava moedas para comprar o pão.&lt;br /&gt;  Adiante, numa placa pintada à mão, um pobre velho anunciava a sua candidatura – a deputado estadual – na iminente eleição.&lt;br /&gt;  Chorou amargurado, ao perceber o quão horrível a vida podia ser, também, para os outros.&lt;br /&gt;(&lt;em&gt;Calliope&lt;/em&gt;, 05/09/2006)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3249347183963943246-6053991713394203052?l=cronicasdecalliope.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/feeds/6053991713394203052/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3249347183963943246&amp;postID=6053991713394203052&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default/6053991713394203052'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default/6053991713394203052'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/2009/04/coletividades-sofredoras.html' title='Coletividades Sofredoras'/><author><name>Delirium</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15187299457476767015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qB6ccvWhCRk/Sbp47EvR86I/AAAAAAAAABs/X_Iqc0JQ7mg/S220/deli019.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3249347183963943246.post-8754458687663553060</id><published>2009-04-13T13:13:00.000-07:00</published><updated>2009-04-13T13:18:43.928-07:00</updated><title type='text'>Sina</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#ffcc99;"&gt;A sorte não sorriu para Mariana. Talvez, por isso, ela jamais sorrira como nós sorrimos quando estamos felizes. Ninguém nunca viu, no rosto de Mariana, aquele sorriso largo, esbanjando dentes, esticando os lábios, alterando o contorno das bochechas... Não! Mariana jamais sorrira deste modo. Se disser que nunca sorrira, estaria mentindo, mas o seu sorriso era sempre aquele riso escondido, que se forma, timidamente, no canto da boca. Mas, enfim, nunca um sorriso feliz.&lt;br /&gt;E motivos para sorrir, Mariana não os tinha. Como mencionei, a sorte não lhe sorrira. Mas, a desgraça, sim, sempre estivera ao seu lado, abraçando as poucas carnes que lhe cobriam os ossos.&lt;br /&gt;Mariana era a quinta de uma prole de 12 filhos. Os três últimos já dormiam na sepultura, assim como a mãe de Mariana, Dona Maria das Dores, que sofreu tanto no parto do seu derradeiro filho, que veio a morrer, com a criança entalada entre as pernas, como se não quisesse pôr os pés neste mundo odiento.&lt;br /&gt;A causa da morte dos outros dois infantes não sei explicar, mas quando se nasce na miséria, a morte é a vizinha da casa adiante. Restara, para Mariana, o pai, homem sofrido, e seus oito irmãos.&lt;br /&gt;Coitada de Mariana! Seus olhos eram duas pedras tristes... Brilhavam com a água do choro. Chorar, para Mariana, era tão natural quanto dormir e acordar.&lt;br /&gt;Chorava ao ver a dor de seu pai, que após a morte da mulher e do último “fio”, que foi capaz de gerar, caiu num desalento sem tamanho. Mal falava, mal comia.Chorava ao ver os irmãos mais novos com os olhos ávidos, esperando o arroz cozido, para saciar os estomagozinhos infantis.&lt;br /&gt;E foi assim por toda sua vida... Foi assim quando o pai morreu e quando os irmãos mais moços cresceram e os mais velhos casaram e desertaram.&lt;br /&gt;Um dia, quando Mariana se deu conta, não havia restado ninguém. Dos irmãos, os que se não casaram, morreram e os que viviam sabiam que Mariana era morta, que vida já não tinha, posto que só chorava.&lt;br /&gt;E Mariana ficou velha e sozinha, na velha casa onde nascera e crescera. E já que não lhe sobrara nada, tudo que podia fazer era chorar, pensando nas pessoas que amara e que perdera.&lt;br /&gt;Ela chorou. E chorou tanto, que ao lhe faltarem as lágrimas, os olhos, que tanta desgraça viram, rolaram, como duas resignadas lágrimas, pela cara.&lt;br /&gt;(&lt;em&gt;Calliope&lt;/em&gt;, 14/03/2006)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3249347183963943246-8754458687663553060?l=cronicasdecalliope.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/feeds/8754458687663553060/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3249347183963943246&amp;postID=8754458687663553060&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default/8754458687663553060'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default/8754458687663553060'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/2009/04/sina.html' title='Sina'/><author><name>Delirium</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15187299457476767015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qB6ccvWhCRk/Sbp47EvR86I/AAAAAAAAABs/X_Iqc0JQ7mg/S220/deli019.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3249347183963943246.post-8966096649161073750</id><published>2009-02-28T12:01:00.000-08:00</published><updated>2009-04-14T09:21:27.182-07:00</updated><title type='text'>Desejo: Uma crônica Onírica</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="COLOR: rgb(255,204,153)"&gt;Acabara de chover. As plantas estavam úmidas e alegres por isso balançavam suas verdoengas folhas acompanhando, de forma ritmada, a passagem de uma brisa. Esta era a primavera em Paradiso, a flora com cores inimagináveis e uma fauna ainda mais exuberante.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="COLOR: rgb(255,204,153)"&gt;O povo de Paradiso era amistoso, feliz e fiéis ao culto do grandioso deus Soberanus, que com seu imenso olho onipotente, que ficava no centro do seu peito, ele enxergava os atos de todos os seres. Soberanus via o coração e os pensamentos que se formavam nas arcas cerebrais de todos que habitavam Paradiso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="COLOR: rgb(255,204,153)"&gt;À beira de um lago, uma paradisiana esperava. Cantava uma canção plangente e incompreensível. Chorava e suas lágrimas enchiam ainda mais o pequeno lago cristalino. Seu nome era Utopia e uma chama ardente a consumia. Era um amor proibido que a entristecia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="COLOR: rgb(255,204,153)"&gt;Utopia amava Ímpeto, o impulsivo marido de Amora, a Grande Sacerdotisa de Soberanus. Amora era desprovida de visão, mas o justo Soberanus, aquele que tudo sabe, presenteou-a com um dom mais poderoso e revelador do que podem imaginar os olhos: A Clarividência. Amora enxergava com a mente e o coração.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="COLOR: rgb(255,204,153)"&gt;E um dia, quando se prostrou para oferecer o cadáver de um pássaro sagrado ao seu magéstico deus, Amora viu a Lascívia, a Corrupção e a Traição do seu belo marido Ímpeto. Viu a Paixão que sufocava Utopia e quis fazê-la sofrer e até matá-la. Mas havia um ser entre eles, uma criança, que crescia no ventre de Utopia, um filho gerado da Volúpia, de um impulso apenas, de um Desejo. E pela primeira vez, em sua existência, Amora sentiu Ódio, pois de acordo com os votos sagrados que fizera à Soberanus, jamais poderia conceber um filho. Amora chorou, mas foi logo consolada por Soberanus, que lhe deu uma Idéia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="COLOR: rgb(255,204,153)"&gt;Utopia foi expulsa de Paradiso e condenada a vagar pela Amplidão Sem Fim, com o seu pequeno bastardo, Soberanus cuidaria do porvir e ambos seriam eternamente castigados. Ímpeto foi castrado e condenado à Perpétua Solidão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="COLOR: rgb(255,204,153)"&gt;E assim, à esmo, Utopia caminhou, enquanto o fruto do seu Amor por Ímpeto crescia em seu ventre. Mas, quando Utopia tinha sede, todos que habitavam aquelas terras estranhas, lhe negavam água e quando tinha fome, ninguém lhe oferecia comida e todos lhe negavam abrigo, pois ela era uma condenada ao exílio e ninguém jamais contestaria a vontade de um deus, mesmo que este não fosse propriamente, o seu deus.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="COLOR: rgb(255,204,153)"&gt;Desta forma, nasceu o filho de Utopia. Em meio ao Nada, às margens de um rio esquecido, tendo como manto a relva que alimentava as lebres. Mas Utopia, não pôde lhe dar sequer um nome, pois perdera toda sua vitalidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="COLOR: rgb(255,204,153)"&gt;Os anos passaram, Utopia envelheceu. Seus cabelos, outrora negros como a noite, tornaram-se brancos, alvos como o pêlo dos arminhos. Sua pele enrugou-se e os seus olhos, cor de opala, tornaram-se ainda mais merencórios.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="COLOR: rgb(255,204,153)"&gt;Utopia, sentada à beira de um riacho, olhava tristemente a paisagem insólita das Montanhas do Nada. E assistia, sem nenhum entusiasmo, o crescimento do filho que concebera, o fruto do Desejo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="COLOR: rgb(255,204,153)"&gt;O pequeno menino, frágil e indefeso, logo tornou-se um homem, bravo e viril, fazendo-a lembrar, com Amargura, do seu grande Amor, Ímpeto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="COLOR: rgb(255,204,153)"&gt;Um dia, Utopia abandonou o seu fatigado corpo. Transcendendo a carne, tornou-se luz e seguiu célere em direção às estrelas e o seu filho ficou sozinho, sem nome e sem ter quem o amasse, desconhecendo o seu passado e toda Dor que à ele se irmanava.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="COLOR: rgb(255,204,153)"&gt;Triste, o filho do Amor proibido de Ímpeto e Utopia, galgou solitário por todo o Espaço Vago. Chorou sozinho, sem abrigo ou alimento, nos Desertos do Pensamento. Até o dia em que chegou à pequena cidade de Infinda. Ele estava muito doente, aos poucos a melancolia o consumia. Em Infinda foi acolhido e tratado, mas quando lhe perguntaram o seu nome, ele voltou a se amargurar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="COLOR: rgb(255,204,153)"&gt;Porém, um dia, enquanto refletia sozinho, ao sopé das Íngrimes Montanhas, a cria banida de Utopia quis ser Rei, ser o Soberano de todos àqueles povos ermos. Mas ele não conhecia o seu poder. O bastardo de Paradiso não sabia que era capaz de possuir tudo o quanto quisesse, bastava apenas, desejar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="COLOR: rgb(255,204,153)"&gt;E eis que o banido virou Rei. E junto com esta honraria, recebeu um nome: E este nome foi Desejo. Após tantos anos, o filho de Utopia e Ímpeto, fora batizado. Finalmente, Desejo experimentou o agridoce sabor da Felicidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="COLOR: rgb(255,204,153)"&gt;Os anos continuaram à passar e o Velho e Metafísico Tempo erguia-se com suas asas de falcão, anulando tudo que podia fenecer. Temendo que o Tempo lhe roubasse o prazer íntimo de conhecer a Verdade, Desejo quis descobrir o seu passado, que a tristonha Utopia, lhe havia omitido durante toda a sua existência.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="COLOR: rgb(255,204,153)"&gt;Foi assim que Desejo chegou à Paradiso, ostentando as suas opulentas vestes e a sua imensurável beleza física. Como era um Rei, foi recebido pela Sacerdotisa-Mor da cidade de Paradiso. Esta era Amora, que ao se pôr diante do Rei Desejo, sentiu um arrepio lhe percorrer as veias e a substância que a animava pareceu se congelar. Amora não podia vê-lo, posto que era cega, mas sentiu a sua presença esmagadora e desfaleceu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="COLOR: rgb(255,204,153)"&gt;E assim, sem ordenar ou proclamar, Desejo conheceu a sua triste história e ao descobri-la, sua Fúria foi tão intensa que ele desejou acabar com aquele mundo de Aparências e de Vilipêndios.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="COLOR: rgb(255,204,153)"&gt;E tudo virou deserto e pó e cinzas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="COLOR: rgb(255,204,153)"&gt;Mas o Velho e Metafísico Tempo, repovoou o Mundo e concedeu uma forma amorfa à todas as personagens desta crônica onírica, tal como as conhecemos nos dias de hoje.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="COLOR: rgb(255,204,153)"&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;(Calliope)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3249347183963943246-8966096649161073750?l=cronicasdecalliope.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/feeds/8966096649161073750/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3249347183963943246&amp;postID=8966096649161073750&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default/8966096649161073750'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default/8966096649161073750'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/2009/02/desejo-uma-cronica-onirica.html' title='Desejo: Uma crônica Onírica'/><author><name>Delirium</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15187299457476767015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qB6ccvWhCRk/Sbp47EvR86I/AAAAAAAAABs/X_Iqc0JQ7mg/S220/deli019.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3249347183963943246.post-7357215375776105927</id><published>2009-02-08T10:16:00.000-08:00</published><updated>2009-04-14T09:29:47.056-07:00</updated><title type='text'>A Mulher</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="COLOR: rgb(255,204,153);font-family:arial;" &gt;Já nem me importo com a solidão.&lt;br /&gt;Quando ela se aproxima,&lt;br /&gt;De forma nada sutil,&lt;br /&gt;Agarro-me à sua asa&lt;br /&gt;E juntas, rabiscamos o céu,&lt;br /&gt;Enchendo a sua vastidão,&lt;br /&gt;Com traçados irregulares.&lt;br /&gt;(Versos Esparsos)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="COLOR: rgb(255,204,153)"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="COLOR: rgb(255,204,153)"&gt;Nos aproximamos de modo intenso. Vi o seu olhar magnético descrever uma trajetória imaginária e entrar em rota de colisão com o meu olhar perdido. Não pude desviar e deixei que o seu olhar caísse sobre mim.&lt;br /&gt;Quando percebi, estávamos perto um do outro. Perigosamente perto. Não houve tempo para conversarmos. Ela não gostava de conversar. Então, me permiti ser tragado pela sua beleza, que emanava sensualidade em estado bruto.&lt;br /&gt;Ela aparecia como se fosse um anjo. Sem que eu a convidasse, invadia a minha mente, a minha casa, a minha cama, a minha vida. Sem que eu me desse conta, estávamos juntos todos os dias. Todas as noites. Todas as horas vãs.&lt;br /&gt;Não compreendo como ela parecia tão diferente à cada dia, como se fosse outra mulher. Na verdade era a mesma mulher, os seus encantos é que se mostravam de forma gradativa.&lt;br /&gt;À noite, seus dedos tocavam minha pela com lascívia e sensualidade. Ela era tão sorrateira, invadia minha cama enquanto eu dormia, me envolvia em seus braços e eu deixava-me estar no conforto suave dos seus abraços cálidos.&lt;br /&gt;Até então, não sabia o seu nome. Ela não costumava falar sobre si mesma. Seus atos dispensavam palavras. E eu não me importava, queria apenas deixar-me estar em seu colo, em suas espáduas, queria me perder na negridão dos seus cabelos e mergulhar, cada vez mais fundo, no opala dos seus olhos.&lt;br /&gt;Atirava-me, sem medo, do despenhadeiro que eram seus beijos mornos. Me tornei um escravo do seu desejo de me possuir. Queria ouvir o crepitar dos meus próprios ossos se consumirem na chama incendida daquela paixão. Paixão inédita e perturbadora. Em cada rosto que olhava, era a sua face que via. Eu a queria a todo momento, queria ficar perto dela, me deixar sufocar na fumaça do seu cigarro, tomar a última gota do seu uísque.&lt;br /&gt;Mas ela não estava lá. As suas marcas estavam tatuadas por toda a casa. Havia cinza de cigarro nos cinzeiros, marcas de batom nas minhas roupas, nos copos, na minha pela, enfim, por toda parte.&lt;br /&gt;Ela adorava deixar marcas, como cicatrizes. Ela tatuou na minha alma a cicatriz de sua falta. Eu cambaleava pela casa vazia esperando me deparar com a sua silhueta nua, desfilando pelo corredor, na penumbra.&lt;br /&gt;Ela me provocava. Quando desejava com veemência a sua presença, ela não aparecia.&lt;br /&gt;Me sentia dono dela e ao mesmo tempo, me sentia seu escravo. Para tê-la, eu estava disposto à tudo, até mesmo à não tê-la, à não vê-la, à não tocá-la. Estava enlouquecendo com sua ausência.&lt;br /&gt;Não nos víamos há dias, quando ela reapareceu, totalmente desgrenhada, a roupa rasgada, a maquiagem borrada. Ela me disse coisas sórdidas, me chamou de cretino, de tratante. Estava ainda mais lúbrica do que de costume. Tentei conversar, pois percebi nos seus olhos, um brilho melancólico, mas ela me calou com um beijo e eu fui assim levado por um beijo quente e doce.&lt;br /&gt;Eu já não era mais nada. Tudo que havia em mim tinha o cheiro dela e o seu toque penetrante e carnal. Ela imperava em minha vida.&lt;br /&gt;Ela me dominava. Eu me deixava dominar.&lt;br /&gt;Ela não se entregava.&lt;br /&gt;Ela me escravizava. Eu me deixava escravizar.&lt;br /&gt;Quem era ela? Perguntava-me nos raros momentos em que a razão me compelia. Ela era uma mulher perfeita: Irrestrita. Complacente. Totalmente silenciosa. Não chorava, nem ria. Sua imparcialidade era um delicioso atributo.&lt;br /&gt;Deixava-me estar, encantado com sua perfeição.&lt;br /&gt;Um dia, quando a paixão arrefeceu e o seu fulgor, deu lugar à brandas ondas de calor sereno, eu quis saber o seu nome.&lt;br /&gt;E ela disse: Em sua alma fixei minha morada. Ergui as paredes firmes do meu castelo. Me chamo Solidão. E não te abandono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="COLOR: rgb(255,204,153)"&gt;(Calliope, 24/11/2008)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3249347183963943246-7357215375776105927?l=cronicasdecalliope.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/feeds/7357215375776105927/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3249347183963943246&amp;postID=7357215375776105927&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default/7357215375776105927'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3249347183963943246/posts/default/7357215375776105927'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasdecalliope.blogspot.com/2009/02/mulher.html' title='A Mulher'/><author><name>Delirium</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15187299457476767015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_qB6ccvWhCRk/Sbp47EvR86I/AAAAAAAAABs/X_Iqc0JQ7mg/S220/deli019.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry></feed>
